25/09/2008

A 25... (the 4th)

O silêncio reinava naquele espaço, habituado a tantos devaneios e sonhos... Pensamentos carregados duma mistura de vontades e memórias percorriam-lhe a cabeça a uma velocidade estonteante. Tu há muito que te tornaras presença assídua, tão doce e mortal como algo proibido. No entanto, a distância (curta, é certo, e ao mesmo tempo tão grande) era servida como um martírio. Mesmo assim continuava a sorrir. Lembrava-se do primeiro dia, o vigésimo quinto de há uns meses atrás, da troca de sorrisos inocentes, do piscar de olho simples, fugaz e implacável. Sorria ao pensar como seria fácil voltar ao início e recomeçar o jogo... Apetecia-lhe criar mais um "era uma vez", deixar-te sem palavras com todas as palavras que a tinta marcava o papel. Palavras essas com que te deliciavas, sorrias e teimavas em não ligar ( ou apenas mostravas, apesar da ânsia de as receber). Era tão mais fácil fechar os olhos e deixar-se vaguear pelo vosso mundo, criado por ambos numa atmosfera sonhadora, livre de tudo e feita por e para vós apenas...
Ele agarrava-se com unhas e dentes a todas as imagens que tinham sido criadas para um dia voltar a ver-te sorrir totalmente. E mostrava-te como era simples construir um castelo sem perder a noção do chão. Tu sorrias mais uma vez tentando vencer o medo.
E mais uma vez escrevia para ti... Ele tornava-se agora completamente teu... Mostrava-se em mim, cansado duma história na terceira pessoa. Era eu quem não queria deixar de sonhar, de te ver sorrir. Ofereço-te agora a minha mão e tudo o que nela cabe... O meu sorriso, o meu chão, o teu olhar espelhado num sopro quase imperceptível do meu suspirar por uma história inacabada. Ofereço-te o meu mundo mais uma vez (e quantas vezes for preciso oferecer), porque eu sou, finalmente, nada mais que ele e os contos à sua volta... E teu é o seu (meu) coração!

"Well open up your mind and see like me
open up your plans and damn you're free
look into your heart and you will find that the sky is yours

so please don't, please don't, please don't,
there's no need to complicate,
Cause our time is short
This, this, this is our fate,
I'm yours"



[25-09-06]

26/06/2008

26-06-08

Bastava uma palavra e tu já sabias o que irias ler... A escrita dele não tinha mais segredos para ti, mas mesmo assim continuava a surpreender-te, continuava a fascinar-te. Ensinava-te a não pensar, apenas sentir, tal como ele o fazia, como ele o descrevia nas suas palavras. E tu deliciavas-te com elas. Via-lo a sorrir através delas....
Sorrias também... Esse sorriso envergonhado e ao mesmo tempo convencido. Sim, sabias muito bem que ele já só escrevia para ti, desde aquele primeiro texto, aquele primeiro olhar, o primeiro sorriso. E adoravas ser o centro da escrita dele. Comparava-lo ao outro, o das multiplas personalidades... O que consiguia brincar com as palavras para mostrar um sentimento apenas....
Ele, por outro lado, já quase não dava por ela que escrevia. Apenas sentia e deixava sair esse sentimento. Era a maneira de te mostrar tudo, o seu mundo; de te mostrar que eras tu o seu mundo.

"We might make love
in some sacred place
that look on your face
is delicate..."

17/06/2008

Menina da cara de anjo

Escusas de fazer esse sorriso inocente.. Sabes bem que já lhe deste a volta. Ou então foi o acaso que vos deu a ambos. O que é certo é que ele já não consegue pensar em nada senão em ti, no teu sorriso. Na cabeça dele já só há as vossas conversas, as coisas pequenas e simples que tu, (se calhar) inocentemente, dizes. As tuas palavras tornam-se as dele para agora ele as passar para o papel da maneira que tu mais gostas.
A vossa história é agora não mais que um conjunto de palavras que ele tenta organizar num sentimento, numa mistura melódica de frases, entoadas em Dó menor de sétima, com acordes daqueles que soam bonito e simples mas difíceis de reproduzir para toda a gente (excepto para vós)...
E tu sorris enquanto lês as suas palavras. Revês-te em cada uma delas como se fosses tu mesma a escrevê-las. Anseias (se calhar tanto quanto ele) por vê-lo uma vez mais, para mais uma troca de olhares, uma troca de sorrisos, mais uma troca (inocente?) de palavras...
Ele, por sua vez, deseja por mais... Tem fome de te ver, fome do teu sorriso, fome de um beijo que seja, de um carinho teu apenas.
Sem coragem para dar mais um passo, vão continuando a picardia. Tu deixas-te levar sem nunca avançar. A luta que travam entre vós continua aberta à espera que um de vós ceda e ponha, finalmente, todas as cartas em jogo. Mas continuas a não querer dar de ti. Continuas, inocentemente, com essa carinha de anjo a fingir que nada se passa, apesar de ambos quererem o mesmo...


(17-06-2008)

15/06/2008

(re)começos

Tinha prometido a si mesmo não voltar a situações já repetidas e pelas quais tinha tantas vezes desanimado. No entanto, agora era-lhe difícil fugir a toda esta situação. A imagem do teu sorriso percorria-lhe mais uma vez o pensamento. A memória do último (e para já único) café não o largava, restituindo-lhe o sorriso que há algum tempo tinha desaparecido.
Tu, inocentemente (ou talvez não) fazias-te mostrar presente. Ele, por sua vez, conseguia respirar fundo, ver o mundo a cores, sorrir de novo. O nervoso miudinho aumentava à medida que a ansia de te voltar a ver crescia.
Até a música, até agora sombria e chorosa, parecia mudar de cor e juntar-se a ti numa cumplicidade estranha e, ao mesmo tempo, sedutora. O concerto que querias ter visto soava-lhe nos ouvidos e ele apenas desejava que tivesses estado lá, só para te mostrar o seu mundo, os seus sonhos, o seu sentimento. O beat da bateria fazia eco do seu coração.
Mas calma!! Não queria voltar ao mesmo, não queria ter que cair mais uma e outra vez. Mas a tua música falava mais alto. As surpresas deste (teu) concerto eram cada vez mais inesperadas e saborosas. A maneira como compões a melodia deixa-lhe uma réstia de esperança num sorriso apenas. E como alguém costumava dizer: era apenas mais um sorriso, um só sozinho, que assim luzindo poria fim à tempestade.

[09-06-08]

03/04/2008

...

Ao fim ao cabo, ele apenas tentara devolver aquilo que lhe ofereceras. Era pelo menos uma tentativa de retribuição… Tinhas-lhe restituído o azul e o amarelo, o vermelho e o verde, e ele queria mostrar-te…

Nem sempre tudo lhe sai certo, já o sabes, mas agora sentiste-o na pele. No entanto, após mais uma nota fora da escala, voltou a atinar com a vossa melodia… E, com um sorriso, oferecia-te (de novo) o mundo, o seu mundo. A tela onde desenhava os seus traços e linhas é-te novamente oferecida.

Tu, ainda cabisbaixa, não sabias como reagir. Estaria tudo ainda quente par um só sorriso? Talvez não. E cedeste…

Num outro pedido de desculpas, ele mostra-te o que pode ser teu. Pobre em actos, mas rico em sentimentos, embrulha o seu coração em papel de jornal (não havia mais nada à mão…) e dá-to junto com um papel meio amarrotado cheio de palavras (palavras das que falam, cantam, riem, choram e beijam… As que mais gostas nele). Com um sorriso ainda ténue e furioso, aceitas, suspirando, mais uma vez, tocada por aquele gesto. Reclamas e dizes que te dá sempre a volta da mesma maneira, mas reconheces que é a única forma que ele conhece de se por a teus pés e entregar-se.

Não é uma vitória para ele, ambos o sabem. É apenas uma rendição (de classe, claro está, porque mais ninguém consegue fazer brilhar o teu sorriso por detrás das tuas lágrimas só com meia dúzia de palavras) … A melodia que ele entoa enquanto lês aquilo que te escreveu é prova disso. Mais uma luta que ambos ultrapassam com a certeza que, mesmo que haja próximas (não há mundos perfeitos e o dele não é excepção), o ciclo continua apenas porque há uma espécie de espírito guerreiro que os une (mais que isso, é chamado de sentimento) … E assim se vai construindo os castelos de areia, tentativa após tentativa, reconstruindo o que o mar acaba por deitar abaixo…

(01/04/2008)

11/02/2008

Viagens

Encostado à parede, com a guitarra no colo, entoava uma melodia simples e alegre! Desde há uns dias que não parava um pouco... Sentia-se finalmente feliz. A razão, essa encontrava-se estampada no seu rosto, naquele sorriso que ele tinha só para ti! Ah, era como uma viagem esse sorriso... Uma viagem a terras longíquas, pertencentes a um imaginário agora vosso! E tu, provavelmente mais sonhadora, sorrias também partindo junto nessa viagem que só vocês conseguem entender!

15/01/2008

Refúgios...

Já há muito que se habituara a refugiar-se nesse quarto, acompanhado pelo som melancólico anunciado pelas duas colunitas que ali habitavam.
Olhava uma e outra vez para a desorganizada disposição de pincéis, tintas e telas, para os seus instrumentos musicais, todos à espera de uma pontinha de inspiração. Se pudessem falar pediriam-te só mais um sorriso, um olá que fosse, ou mesmo até um beijo... Algo que o fizesse acordar do estranho sono de saudade que se apoderara dele sem pedir autorização.
A música, essa continuava, sorrateiramente, a preencher os cantos que permaneciam vazios, vazios de ti, apesar de nunca teres preenchido aquele espaço.
Porém ele continuava a sonhar... Sonhava que um dia te mostraria o seu canto, o seu refúgio... Os seus devaneios de inspiração, as suas companhias nos momentos de solidão... Sonhava poder partilhar-te com as suas telas, representar-te em tantos outros retratos...
Uma mensagem tua devolve-lhe o sorriso e fá-lo acordar.. De volta à realidade apercebe-se que apesar de se ter perdido no tempo, apenas passara breves minutos desde a última vez que tinha olhado o relógio. Suspirou fundo e olhou pela janela.. A chuva continuava a cair em grossas pingas...
Num suspiro, pegou no casaco e preparou-se para sair... Iria enfrentar o mundo tal como ele é, sem medo e preparado para a luta. A certeza era só uma, bom mesmo é continuar a receber o teu sorriso....

31/10/2007

Just the same old song...

Olho-me no espelho e revejo-me nas mesmas situações de sempre, como um peregrino que volta a casa após mais uma jornada e repara que tudo ficou na mesma.
Ainda há dias dizias-me que me vias com um sorriso. E num sorriso (teu) davas-me a certeza de tudo... Mas agora, neste silêncio, a imagem que enfrento só me coloca dúvidas... Bem que me aponta o dedo e me faz perguntas (daquelas que não consigo responder, apenas porque não tenho coragem), acusando-me de tudo. Maldita razão que a assiste!
No entanto, lá fora, o sol convida-me para um outro sorriso. Olho para a tua imagem e tu, como se quisesses mostrar que estás presente, associas-te à ideia e tornas-te seu cumplice.

28/04/2007

Ciclos....

Parou o tempo! E tudo o que existia parou também, admirados com esta celebração! E um abraço, que manda tudo de volta à realidade, faz-nos acreditar que não é um sonho... O mundo passou agora a girar à nossa volta, tudo sorri para nós! Mantenho-te nos meus bracos, fecho os olhos e sinto-te sorrir. Sorrio também. Sabe tão bem voltar a viver!
[27-07-05]

23/01/2007

Vontade(s)

Afinal sempre tinhas razão: era uma questão de vontade! E tu sorris quando digo isto, sei-o bem. No fim de contas és capaz de gostar tanto de mostrar aos outros (os que te rodeiam) aquilo que podem fazer como de o fazeres tu própria. E voltaste a mostrá-lo, até porque gostas de pegar pontinhos nas histórias que encontras.
Mas naquele dia a história ficou para trás... Nem percebi porquê! Apenas apareceu no meio de tanta outra coisa e eu só notei uma pontinha, uma presença, como que um risinho tímido de quem se quer fazer notar. E quando voltei a olhar, já lá não estava. Perdeu-se!
Vim a entender hoje que afinal tinha sido eu a perder-me. A história, no entanto, de certeza que continua ligada àquele jardim. Repousa no banco verde como todas as outras que por ali ficaram abandonadas ou esquecidas como quem espera algo. Mas eu não, não me esqueci! E tu voltaste a lembrar-me.
Volto ao parque à procura e reparo que afinal era apenas vontade, vontade de escrever, de deixar tinta no papel, de contar o que se tinha passado, apenas vontade de dizer algo. Era Apenas Mais Um como o outro, o primo (teu)...

Sim, mais um sorriso teu confirma que afinal era uma vontade (como as tuas). E era riso, era criança, era liberdade! Era apenas Vontade!

(Porque gostas disto e de tudo... E vontade não te falta. Afinal, apenas escreves!)

09/01/2007

Cores...

Havia dias assim, escuros e sombrios. De facto, nos últimos tempos eram mais noites que dias. Noites frias e melancólicas assombradas pela presença de memórias e lembranças.
Mas comecemos pelo início (ou pelo menos por este capítulo, a história é longa, remonta a tempos um tanto longínquos). Desta vez apareceste (ou fui eu que apareci... Não importa, ninguém o soube...) e trouxeste, por momentos, o cheiro a amarelo e azul, a verde, branco e vermelho. Voltou a saber a mar e a cheirar a verão. Voltou o brilho do olhar da criança que brinca no jardim. Ou pelo menos assim o senti (ou pensei)... Tão certo como o facto de teres voltado foi a certeza de não o teres feito. Não como eu queria. (Re)apareceste simplesmente, ou talvez nunca tivesses partido... Apenas reapareceu a tua imagem e o teu cheiro. E eu, como se quisesse, permiti a invasão (ou se calhar até a forcei). E agora não te quero ver partir...

05/01/2007

When the sun goes down...

O quarto permanecera intacto como se nada por ali passasse. De facto, desde que ele ali entrara, tudo se mantivera como se a sua presença fosse igual à de todas as outras criaturas que o habitam. Nem mesmo o choro que se instalara quando ligou a música os pareceu afectar. Já estariam habituados, de qualquer forma, a estes rituais. Habituados à sua solidão! Durante o dia quase ninguém lá para e, quando as luzes se apagam, a presença dele é como uma melodia triste, quase inexistente.
No meio do pó, os livros sussuram entre si, tentando acompanhar as melancólicas e já conhecidas melodias entoadas pelas colunas encostadas à janela. Essas, dizem eles, têm sorte ainda: conseguem admirar o mundo exterior para além daquele quarto abafado e sombrio ao qual os outros pertencem como que um bando de palavras ou um emaranhado de folhas esquecidas pelo tempo...

02/01/2007

Miradouro...

Ele olhou para o fundo da rua na esperança que ainda viesses... Num suspiro virou costas e subiu, cabisbaixo, a rua em direcção ao largo onde tantas vezes estiveram juntos. Uma sequência de memórias enchiam-lhe a cabeça. Histórias passadas eram agora não mais que um conjunto de imagens agarradas a todo aquele espaço onde se encontrava. Um banco, que muitas vezes tinha servido de testemunha de tantas outras histórias, parecia-lhe agora estranhamente vazio e solitário. Voltou a olhar para trás numa última tentativa de te encontrar... Como um último desabafo admirou o tão característico cinzento citadino e, num choro silencioso deixou-se levar pelo mundo da saudade num emaranhado de memórias...

30/12/2006

Vinicius...

A viola ainda soava naquele quarto escuro e melancólico... Os acordes entoados ainda há pouco fizeram-no parar! Ele nem fez contas ao tempo que ficou ali: 10, 15 minutos… 30 segundos… Simplesmente fechou os olhos e deixou-se ir numa viagem pela saudade. Visitou o teu sorriso (quente, brilhante, confortável, belo) e deixou-se encantar como da primeira vez que o viu!Abriu os olhos e voltou a olhar para a tua imagem! Um sorriso ténue aparece como resposta ao teu, abafando por momentos a tristeza de não te ter à beira…


"Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela
Não pode ser, diz-lhe numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso
Mais sofrer. Chega de saudade a realidade
É que sem ela não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim..."

14/12/2006

through the glass


I'm looking at you through the glass,
don't know how much time has passed
Oh God it feels like forever, but no one ever tells you that
Forever feels like home, sitting all alone inside your head...
Cause I'm looking at you through the glass,
don't know how much time has passed
All I know is that it feels like forever, but no one ever tells you that
Forever feels like home, sitting all alone inside your head...

How do you feel? That is the question...
But I forget you don't expect an easy answer
When something like a soul becomes initialized and folded up like
Paper dolls and little notes, you can't expect a bit of hope
And while you're outside looking in, describing what you see
Remember what you're staring at is me

Cause I'm looking at you through the glass,
don't know how much time has passed
All I know is that it feels like forever, but no one ever tells you that
Forever feels like home, sitting all alone inside your head...

How much is real? So much to question
An epidemic of the mannequins contaminating everything
We thought came from the heart - but never did right from the start
Just listen to the noises - null and void instead of voices
Before you tell yourself It's just a different scene
Remembering is just different from what you've seen

Cause I'm looking at you through the glass,
don't know how much time has passed
All I know is that it feels like forever, but no one ever tells you that
Forever feels like home, sitting all alone inside your head...
Cause I'm looking at you through the glass,
don't know how much time has passed
All I know is that it feels like forever, but no one ever tells you that
Forever feels like home, sitting all alone inside your head...

And it's the stars, the stars that shine for you
And it's the stars, the stars that lie to you
And it's the stars, the stars that shine for you
And it's the stars, the stars that lie to you

I'm looking at you through the glass,
don't know how much time has passed
Oh God it feels like forever, but no one ever tells you that
Forever feels like home, sitting all alone inside your head...

Cause I'm looking at you through the glass,
don't know how much time has passed
All I know is that it feels like forever, but no one ever tells you that
Forever feels like home, sitting all alone inside your head...
And it's the stars, the stars that shine for you
And it's the stars, the stars that lie to you
And it's the stars, the stars that shine for you
And it's the stars, the stars that lie to you
It's the stars, it's the stars, that lied

25/10/2006

Lamentos...

A vidraça reflectia o tom acastanhado e cinzento da rua enquanto ele fazia de conta que prestava atenção ao que tinha pela frente. A música repetia-se (talvez já propositada), mantendo no ar o lado melancólico deixado por uma saudade que teima em ficar agarrada a esta história ... Os acordes entoados no silêncio do seu pensamento continuam sem deixar partir imagens há muito gravadas na memória, desde o tempo em que ambos corriam, brincavam e riam como se fossem só crianças... Um sussurro vindo duma janela aberta, esquecida no tempo, torna-se num sopro furioso levando os rascunhos que lhe tentara escrever como simples folhas abandonadas de suas arvores... E um suspiro lembra que a música chegara ao fim para, de seguida, retomar outra vez o seu lamento como se de um choro se tratasse...


"Não posso ser só eu a dar sentido à razão 
Vais ter que vir tu e arrancar-me a escuridão..."


(sim priminha, saudade... essa saudade - saudade palavra, saudade sentimento, saudade alma, saudade simplesmente)

21/10/2006

E levantara-se naquela manha igual a tantas outras... Por muito que quisesse não poderia fugir por muito mais tempo. Ambos já tinham esgotado todos os limites do jogo que mantinham há demasiado tempo. No entanto as forças escapavam-se e sabia muito bem que todas as palavras que ele tinha imaginado no dia anterior não teriam cabimento na mais que adiada conversa. Tudo aquilo que tinha previsto parecia agora irreal e o que viesse era completamente incerto.
Olhou pela janela e respirou fundo numa tentativa de ganhar coragem! E sorriu...

"Let the rain pitter patter
But it really doesn't matter
If the skies are gray
As long as I can be with you it's a lovely day."

19/09/2006

Just stop...

Pára! Deixa-me em paz. Não quero voltar ao mesmo. Ter-te na cabeça durante todo o tempo e continuar a olhar-te só de longe! Pára!! Ou então aparece de uma vez... Deixa-me ganhar esta luta. Liberta-me desta prisão e mata-me uma vez mais!

"Deixa-me rir
Ou então deixa-me entrar em ti
Ser o teu mestre só por um instante
Iluminar o teu refúgio
Aquecer-te essas mãos
Rasgar-te a máscara sufocante..."

06/09/2006

...and you came to me turning every litlle thing up side down...


"Era eu a despir-te do que era pequeno,
Tu a puxar-me para um lado mais perto,
Onde se contam histórias que nos atam,
Ao silêncio dos lábios que nos mata.

Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a rezar para que ficasses,
Tu a ficares enquanto saías."

...e tentas dar voltas ao teu mundo para que possas entender o que se passa, para o voltares a ter na mão...
...e eu continuo a deixar-me levar...

07/06/2006

Há qualquer coisa - Xutos & Pontapés

"Há qualquer coisa que se esconde em ti
Que me seduz e dá cabo de mim
Eu não sei, nunca sei bem o que é
(Tu sabes sim mas não queres ver)
És como a praia, mudas com a maré
(Não importa se a queres ter)

Mas se tu vais e vens
Como as ondas do mar
Não sei com que posso contar
Vai e vem traz o que tens melhor
Vai e vem dá-me esse estranho amor

Se um dia há sol no outro há-de chover?
Se te encontrar é para te perder?
Eu não sei nunca sei como será
(Tu sabes sim mas não queres ver)
És como o tempo, logo se verá
(Não importa se a queres ter)

Mas se tu vais e vens
Como as ondas do mar
Não sei com que posso contar
Vai e vem traz o que tens melhor
Vai e vem dá-me esse estranho amor

Mas se tu vais e vens
Como as ondas do mar
Não sei com que posso contar
Vai e vem traz o que tens melhor
Vai e vem dá-me esse estranho amor
Vai e vem traz o que tens melhor
Vai e vem dá-me esse estranho amor"

04/06/2006

03-06-06

Parei... Só por uns instantes: parei! Talvez não o devesse ter feito, mas soube bem. E parei para te olhar, para respirar as tuas palavras, para beber do teu sorriso. Tu nada disseste mas precebeste. Limitaste-te a sorrir e continuaste com esse teu jeito de menina. Menina crescida, é certo, e, no entanto, com vontade de continuar menina...
Voltas às tuas histórias, ao teu mundo e deixas a Senhora que te envolve tratar do resto, do outro mundo, de todas as outras coisas que não te pertencem...
E eu continuo parado. Deixo de pensar - disseram-me um dia que era simples fazê-lo... Simples? Talvez seja... Basta fechar os olhos, respirar fundo e sorrir para nós mesmos!

30/05/2006

Os Demitidos - Jorge Palma

"Estás demitido, obviamente demitido
Tu nunca roubaste um beijo
E fazes pouco das emoções
És o espantalho dos amantes.
Estás demitido, obviamente demitido
Evitas a competência
Não reconheces o mérito
És o pilar da cepa torta!

E assim vamos vivendo
Na província dos obséquios
Cedendo e pactuando enquanto der
Filósofos sem arte, afugentamos o desejo
Temos preguiça de viver...

Estás demitido, obviamente demitido
Subornas os próprios filhos
Trocaste o tempo por máquinas
Tu és um pai desnaturado.
Estás demitido, obviamente demitido
Arrasas a obra alheia
Às vezes usas pseudónimo
Tu és um crítico de merda

E assim vamos vivendo...
Na província dos obséquios
Cedendo e pactuando enquanto der
Filósofos sem arte, afugentamos o desejo
Temos preguiça de viver...

Estás demitido, obviamente demitido
Encostas-te às convergências
Nunca investiste num ideal
Tu sempre foste um demitido
Tu sempre foste um demitido
Já nasceste demitido!"

22/05/2006

22-05-06

Vidas compostas por rascunhos emaranhados num molho de rabiscos e palavras... Linhas e traços que a tinta da caneta vai deixando gravado em meia dúzia de papeis espalhados por todo o lado. E tentamos emergir desta confusão de papelada na esperança de criar um conjunto de histórias, passando os dias a tentar ordenar todos os risquinhos e palavras... Mas a própria existência não deixa de ser um grande rascunho duma grande história de experiências! É simplesmente a vida como ela é!

21/05/2006

Porque continua a fazer sentido...

Sometimes...
Às vezes tudo parece tão estranho. A vida atravessa-nos, escapa-se por entre os dedos quando a julgamos segura nas nossas mãos. E tudo o que parecia simples se torna complicado, tudo o que parecia certo aparece agora com errado.
Às vezes o mundo parece ruir, desabar diante de nós, à frente de todos, deitando abaixo tudo o que anteriormente havia sido construído.
Sempre me disseram que a vida dava muitas voltas... Esqueceram-se de me dizer que essas mesmas voltas seriam capazes de levar todos os sonhos com elas.
Às vezes tudo parece distante. Passa tudo por nós sem se voltar, sem voltar. Às vezes custa olhar para o vazio e deixar-se ficar nesse manto escuro, perdido.
'Sorri', dizem-me às vezes,' não é o fim do mundo. Apenas mais uma etapa da tua vida.' No entanto, às vezes, apetece-nos saltar etapas, trazer o tempo a dar uma volta, brincar com ele, pregar-lhe uma partida, deixa-lo exausto, para que, às vezes, pudesse parar, parando tudo com ele.
Às vezes o que nos resta é papel e uma caneta, um pedaço amarrotado onde nos escondemos, fugindo de todos os às vezes que teimam em aparecer por todo o lado. E apenas e só às vezes, talvez os às vezes que surgem, podem parecer eternos. E quando eternos se tornam os às vezes, talvez nos possamos soltar deste pedaço gasto e amarrotado de papel e ser felizes, outra vez...
Às vezes, só às vezes...
(04-04-05)

20/05/2006

20-05-06

Papeis amarrotados num amontoado de histórias preenchem os cadernos que se acumulam durante os tempos que passam, histórias (re)escritas tentando (re)inventar vidas passadas, situações vividas, tempos idos... Soluções teimam em não aparecer. Respostas por dar assombram os problemas que cismam em ficar. E volta-se à mesma história de sempre, tudo num ciclo vicioso... Saídas? Que saídas? A questão aqui é: será que temos capacidade e coragem para mudar, para lutar?