02/03/2010

Guerra...

Maldita vontade que me assiste
E que, de tão violenta, não desiste

De inundar a razão que resiste,

No fundo, de tanto recear...

No final, quando já estiver cansado

O pensamento, de tão transtornado,

Pode ser que, da tal forma reforçado,

O sentimento possa ganhar...

24/02/2010

Vontades..

Tal como disseste: "tem a ver com vontades!"




"Sei que vais levar a mal, mas hoje sinto-me sentimental..."

23/02/2010

Só para não ter que mentir...

Mentiria se dissesse que não... Que não sinto, que não escrevo... Mentiria se afirmasse que não quero, que não gosto...
Assim não o desminto e apenas te digo que sim.
E porque apenas um sorriso me faz voltar à realidade e apenas me faz sonhar...
Apenas surgem questões associadas a tudo aquilo que sinto...
E apenas te digo: Porque não??

22/02/2010

Ainda Pessoa, ainda Poeta...

"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir."

Se sinto o que escrevo não é mais que uma maneira de viver aquilo que sinto... Se o vivo, não o sinto... O sentimento é apenas a expressão daqueles que não gostam apenas de viver... É para os que têm a alma cansada do que apenas vivem... Não é mais que o simples respirar e absorver aquilo que nos rodeia...
Não o vivo, sinto... E se o sinto, escrevo e assim apenas vivo...

Mais Pessoa, mais humano, mais sonhador, mais Poeta!

"Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser."

Deixem-me sonhar enquanto não o vivo... porque adormecido consigo vive-lo... e vivendo-o consigo sonhar!

11/02/2010

Pessoa...

"Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim, nem que eu faça a falta que elas me fazem. O importante para mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível, e que esse momento será inesquecível"

O importante, meu caro amigo, é que esse momento se torne continuamente eterno...

Não quero, mas só porque quero tanto...

Não quero escrever mais....
Não quero sentir, não quero ter de sonhar...
Não quero ter vontade, não quero voar...
Não quero perceber, não quero gostar...
Porque o que não quero é mentir e fingir que de facto não sinto, não sonho, não gosto, não quero...

Não quero, mas só porque quero tanto...

04/02/2010

Porque estive aqui quando ninguém me quis, esqueci-me de estar quando finalmente me procuraram...
E talvez por estar adormecido, perdi a altura certa para te dizer finalmente aquilo tudo que aqui foi sendo dito...

Lamento agora neste pranto melódico a minha sina final... Penar por algo que não tive, e que afinal o direito me concedia em pleno mas que ninguém o soube aproveitar...
O inevitável dom da arte possui manias que a própria razão nem imagina conhecer... chamem-me tolo pela minha falta de cuidados com essa mesma razão, mas também nunca me dei ao trabalho de a conhecer...
Dizem que a monogamia é uma filosofia um tanto ultrapassada, mas sou da velha guarda... A paixão é bem mais apetitosa que a razão!
"Tu és tu sempre que tu és
És mesmo tu quando pensas que és outra coisa
E tu pensas que não mas tu és mesmo bom a ser sempre
Quem és

Daí o teu motivo ser inapagável
Daí o teu desejo ser incontornável
O prazer é tão maleável
Daí o seu valor ser inestimável



A Razão de existir de um poeta é..."

03/02/2010

Tentativa-erro...

Tentativa-erro...
Resultado imprevisível...
Sucesso alternado...
Estudo elaborado por cientistas amadores que tentam criar algo através da sensibilidade...
Uma medida mal calculada a penalizar um processo criativo contínuo sempre com dedicação incansável (isso ninguém pode desmentir), leva a uma frustração que deita por terra todo o tipo de vontade de querer continuar a criar...
No entanto, não é por um ponto negativo (independentemente do tamanho do erro) que não se deixa de continuar o experimento. É só necessário um pequeno investimento para ultrapassar algum material que tenha sido danificado, mesmo que esse mesmo investimento implique um esforço maior que aquele que pensamos conseguir dar...
Quem sabe se não é possível?
Sucesso alternado...
Resultado imprevisível...
Tentativa-erro...


[03-02-10]

01/02/2010

Um dia não são dias...

Um dia não são dias...
Num dia não se fazem revoluções... Num dia não se vive, um dia é pouco para dizer o que se pensa... Num dia não se faz justiça, não se cumprem penas...
Um dia serve apenas para pedir desculpa porque apenas basta um dia para se apaixonar e uma vida para viver esse sentimento.
Um dia serve a esperança de perdão pela certeza duma vida de dedicação no meio de um erro...
Um dia não são dias...

[31-01-10]

Sem-abrigo

Pelas ruas desertas, nuas e frias vou habitando, percorrendo caminhos gastos e seguindo pegadas que tento acompanhar para não perder o rumo, um sentido imaginário com destino a uma fantasia possível.
Um pedaço de cartão, habilmente decorado com as palavras que a minha imaginação vai deitando cá para fora, serve-me de moradia. Palácio forrado a letras de ouro onde me sinto rei e príncipe, cavaleiro, salteador e ladrão, pirata, simples plebeu ou puro vagabundo, mendigando um sentimento que me inunda o pensamento e não me deixa dormir...
As noites já têm segredos e as estrelas fazem-me companhia neste meu rouco e desafinado choro mendigo...

[01-02-2010]

29/01/2010

Um dia...

Um dia vou ser capaz de voar, vou ser capaz de sonhar, de dançar e de brincar como uma criança... Um dia vou ser capaz de crescer, vou ser capaz de parar, de falar... Um dia vou ser capaz de escrever, de desenhar e de pintar. Um dia vou ser capaz de pedir desculpa, de sorrir, de te sorrir... Um dia vou ser capaz de dizer que gosto de ti, de te mostrar que gosto de ti...
Um dia... Talvez um dia...

27/01/2010

Devaneios

Por momentos esqueço-me do que escrevo... Fecho os olhos deixo-me vaguear pelo meus mais profundos pensamentos… Ou serão sentimentos?? Encontro-te presente em cada um deles, como se teus fossem. E tu, neles, sorris!

Bem sabes que não há mais letras disponíveis para compor mais uma história, só mesmo pegar nas antigas e reordena-las numa melancólica construção musical. E de repente dou por mim a entoar esse cântico quase sagrado! Essa harmonia perfeita passa a gerar todo o aroma que se encontra presente no pequeno quarto que por agora habito.

Sem pressa mantenho-me adormecido nesta viagem pelo mundo das sensações, sempre regido pela tua (pouco) ténue presença! Não queria ter de acordar… Bastava-me sentir! E então poderia respirar fundo e dizer que seriam apenas emoções, as ligações que cismam em se manter… Não faças pouco, nem faças troça daquilo que te digo, porque se não encontro maneira de colocar as palavras em forma de som, pelo menos vou gravando-as em pequenos bocados de papel que teimo em te oferecer. É pouco, eu sei… Ou talvez seja só mania de quem pouco entende daquilo que diz… No entanto, já pouco importa… O que tem realmente peso, já há muito que se fez presente, e nós nem demos pela sua chegada… que é certo é que simplesmente existe! E nessa existência assento estes meus desvaneios…

Numa arte poética (na forma tentada) ofereço-te mais uma vez um pequeno mundo, tudo aquilo que me faz fugir, correr, lutar, sorrir, só na esperança que não largues a minha mão!


[27-01-10]

25/01/2010

Amor mendigo

Porque das palavras faço sentimento vivo, real e presente,
em ti, amor meu, te digo que não mente
meu coração quando assim é confrontado
com uma sensação do qual é alimentado.
E porque segredos não mais existem, enfim,
te proclamo agora a minha sina, assim:
desafinado e rouco sigo a mendigar
para um dia te poder ter comigo a caminhar.

[25-01-10]

19/01/2010

Pensamentos v2.0

"Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito."


E, meu caro amigo, na busca da perfeição é que o humano perde o sentido da singularidade da imperfeição!

12/01/2010

Pensamento...

"Pode ser que nos guie uma ilusão, a consciência, porém é que não nos guia."

Mais que ilusão, meu caro amigo, eu diria emoção... E, de certo, não apenas uma!

05/01/2010

Still....

No meio desta correria toda tinha receio que a tinta tivesse secado. Há já algum tempo que a caneta não contava nenhuma história... As palavras tinham ficado retidas num passado do qual tentava fugir. No entanto, todas as letrinhas, anteriormente compostas numa melodia atribulada, não deixavam de se fazer presente.
E, no meio destes pensamentos, era como se tivesse acordado após um período de hibernação... Os sentimentos persistem e a história continua a escrever-se sozinha...
Num lamento repleto de saudade espreito a chuva miudinha que bate na vidraça e num suspiro relembro (mais uma vez) a tua imagem...
Porque não sorrirmos outra vez??


[04-01-2010]

22/06/2009

Memórias

Lembro-me de dias passados,
histórias vividas e cantadas,
milhares de lugares visitados
e de caras mudadas.
Lembro-me de caminhos percorridos
numa solitária estrada,
de pensamentos perdidos
duma história cantada.

Lembro-me do teu sorriso
onde outrora vivi,
O aroma da tua presença
que jamais esqueci...

21/06/2009

Thinkin' about you...

De repente caiu-me na memória todas as nossas vivências, toda a nossa história... Despoletadas apenas por dois acordes, imagens surgem no meu pensamento. E vou guardando todas e cada uma com especial sentimento com quem guarda as cartas que o amor longínquo teima em não se fazer esquecer.
Saudades do que foi e do que ainda está para vir inundam-me o sentimento. Pego na caneta e volto a anotar tudo outra vez, as mesmas histórias pelas mesmas palavras, o mesmo sentimento pelo mesmo olhar. E no fundo soa tão diferente de há uns tempos atrás...

'Cause you're so gorgeous...


[20-06-09]

11/06/2009

No fundo, ainda não perdi...

Numa corrida atrás do tempo,
folga-se a noite
num dia que nunca mais esqueci...
Luz da tua presença,
imagem perdida
de um sorriso pelo qual já sofri.
Na noção do pensamento
reside apenas um maior sentimento,
saudade do que já vivi,

e, no fundo, ainda não o perdi...


[05-06-09]

18/05/2009

Still standing

Gota após gota, vou admirando a chuva miudinha que me cai pela cabeça, saboreando o fresco do final de uma tarde cinzenta. Ideias e pensamentos acompanham a chuva num chuveiro de sentimentos de injustiça. Ainda fervilham as palavras que me dizias há uns dias atrás. No entanto, e porque a vida dá mais uma cambalhota mesmo sem contarmos, o seu sentido já ultrapassado, impede que me aproxime de ti como ambos desejaríamos. Numa tentativa de rebeldia, tento contornar a barreira e mostrar-te que afinal, e acima de tudo, o que importa é apenas um sentimento puro, um único olhar, que nos abraça e envolve garantindo que apenas a força desse olhar serve para nos aguentarmos de pé…

[16-05-2009]

20/04/2009

Desabafos

Não queria ter de voltar a escrever o que quer que fosse, não por estas razões. Não é fácil voltar ao mesmo, tentar acreditar numa justiça imposta, quando a injustiça duma vida paralela ao sentimento assalta o pensamento, enchendo-o de vontades, de emoções, desejos e sensações.
Os dias voltaram a escurecer, como se a luz da tua presença se apagasse, deixando de iluminar o caminho que nos acompanhava. É certo que o continuamos a percorre-lo de mãos dadas, sempre com um sentimento presente nos olhares mútuos, espontâneos, mas com uma ideia contrária à vontade. É a maldita injustiça das vidas que se cruzam, destinadas a não se encontrarem. E, por um acaso delicadamente precioso, nos mantemos um ao lado do outro sempre a sorrir. E é o teu sorriso que me dá a certeza da vitória final. Vitória moral, física ou apenas sentimental, o certo é que o sentimento que nos une não esmorece a ânsia de um futuro apenas a dois, independentemente da nomenclatura que lhe atribuis. E não é por um passado sombrio que se faz manter presente no pensamento, que o sentimento que te falo e que bem conheces (também o tens presente) deixa de existir. Apenas se esconde com receio de sair magoado no final da história. E nesse final que te falo, talvez o possas sentir… Talvez percebas a sua importância para o desenrolar da história toda… Talvez o possas usar como catapulta que envie o passado para o seu lugar: um canto refundido nos confins da história da tua vida… Essa, mais importante que qualquer outra coisa no meio destas palavras todas é reflexo daquilo que realmente sentes, e aí, depois de o perceberes, talvez possas sorrir completamente… Esse sorriso pelo qual me fascinei, pelo qual corri e pelo qual continuo a correr como se fosse o primeiro dia.
Por agora, deixa-me ser reles e vulgar, deixa-me meter contigo. Apetece-me um piropo já muitas vezes repetido. Apetece-me ver-te sorrir com parvoíces minhas, como as primeiras. Apetece-me fazer-te esquecer de tudo menos do teu coração:

“Acreditas no amor à primeira vista ou preciso de passar à tua frente outra vez?”


João Amorim

[20-04-09]

31/03/2009

Protesto!

Que quisesse eu partir
se em mim não restasse mais que solidão,
seria então a resposta
a mais uma sensação.
E, no entanto, por não querer,
talvez por pura teimosia,
ou mesmo porque sentia
que afinal não seria justo perder.
E no fim dos tempos
alguém me dará razão,
só porque decido ouvir o coração...

[23-03-09]